sábado, 29 de novembro de 2008

Se eu morresse amanhã


OH!Se eu morresse amanhã!Que dores eu sofreria!
Nunca mais meus amigos ver,nunca mais rir e gargalhar
Oh!Mas como eu posso me livrar dessas dores de agonia?
Falo tudo!Qualquer coisa!Só nunca me mataria!


OH!Tomo como minhas as palavras do mestre

Minha mãe de saudades morreria
Por mais que pouco nela preste
Se eu morresse amanha!

OH!Nunca mais eu verei teus olhos em meus sonhos
Nunca mais por você meu coração quase voltaria a bater
E meu corpo seria uma lembrança do que fomos
Se eu morresse amanhã!

Mas nunca mais perderia uma noite pensando em ti
E nunca me perderia em lembraças de um bom passado
E tudo seria apenas uma lembrança do que eu sofri
Se eu morresse amanhã!

Mas dos prazeres da vida eu não gozaria
Nunca mais eu teria diversão alguma
Minhas músicas eu nunca mais escutaria
Se eu morresse amanhã!

Mas nunca mais a ferida do amor arderia
Nunca mais eu iria sentir amor
Nunca mais eu seria afogado em agonia
Se eu morresse amanhã!

Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã...
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!

O soneto da Morte

Eu escrevo e retrato minha dor
Num cantinho isolado em casa
No teu sorriso o fim d'um torpor
Em um mundo separado de tudo

Escrevo-te mas sinto-me melhor
Ao perceber minha vida saindo
Deste corpo marcado pela dor
Partindo agora rumo ao paraíso

Ó virgenzinha minha, não me impessas
De andar pelos sonhos teus e morrer
Por entre seus seios enquanto choras

Estou fadado a viver sem você
Mas agora vivo por entre as chamas
Da morte que eu sempre desejei a mim

André Luiz Abdalla Silveira

Sinto falta

Sinto falta de nossas conversas vagas que corriam pela noite afora
De nossos assuntos variados e nossos gostos em comum
Sinto como se você tivesse lentamente ido para sempre embora
E agora sinto um vazio enorme como se a vida não tivesse mais sentido algum

Sinto falta de sentir a sua falta enquanto subo a ladeira da minha rua
De pensar em você enquanto olho para o horizonte sozinho
Mas eu sei que a culpa de tudo não foi toda sua
Sei que o fim foi nosso único e melhor caminho

Mas sinto falta da nossa doce ilusão
Das nossas cartas secretas trocadas
e de nossas promessas falsas faladas

Posso teus lábios nunca ter beijado
posso tua face nunca ter tocado
Mas ao menos eu pude ter lhe amado

Cassio M

A lua se foi

E novamente é o frio noturno que entra pela minha janela
Eu não sinto mais aquele arepio gélido novamente em meu corpo
A lua se foi para sempre e eu não estou mais pensando nela
E em minha cama eu repouso meu corpo frio e morto

Novamente eu olho para o vazio da janela do meu quarto
E vejo o céu encoberto e sem estrela alguma brilhando
Dessa vida de amargura já estou mais que farto
De ser na chuva fina e fria o único que está cantando

E eu sei que o nosso sonho já acabou querida
A lua partiu paa sempre nos deixando sozinhos eternamente
E eu nunca mais poderei lhe ter,mesmo você sendo o amor da minha vida

Pois nosso sonho acabou querida
Tudo era uma ilusão que o tempo despedaçou
E esse amor em mim deixou apenas uma ferida

Cássio M

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Bocage



Manuel Maria Barbosa du Bocage nasceu em Setúbal, no dia 15 de Setembro de 1765. Neto de um Almirante francês que viera organizar a nossa marinha, filho do jurista José Luís Barbosa e de Mariana Lestoff du Bocage, cedo revelou a sua sensibilidade literária, que um ambiente familiar propício incentivou. Aos 16 anos assentou praça no regimento de infantaria de Setúbal e aos 18 alistou-se na Marinha, tendo feito o seu tirocínio em Lisboa e embarcado, posteriormente, para Goa, na qualidade de oficial.

Na sua rota para a Índia, em 1786, a bordo da nau "Nossa Senhora da Vida, Santo António e Madalena", passou pelo Rio de Janeiro, onde se encontrava o futuro Governador de Goa.Nesta cidade, teve oportunidade de conhecer e de impressionar a sociedade, tendo vivido na Rua das Violas, cuja localização é actualmente desconhecida.

Em Outubro de 1786, chegou finalmente ao Estado da Índia. A sua estadia neste território caracterizou-se por uma profunda desadaptação. Com efeito, o clima insalubre, a vaidade e a estreiteza cultural que aí observou, conduziram a um descontentamento que retratou em alguns sonetos de carácter satírico.

Nomeado, na qualidade de segundo Tenente, para Damão, de imediato reagiu, tendo desertado. Percorreu, então, as sete partidas do mundo: Índia, China e Macau, nomeadamente. Regressou a Portugal em Agosto de 1790. Na capital, vivenciou a boémia lisboeta, frequentou os cafés que alimentavam as ideias da revolução francesa, satirizou a sociedade estagnada portuguesa, desbaratou, por vezes, o seu imenso talento. Em 1791, publicou o seu primeiro tomo das Rimas, ao qual se seguiram ainda dois, respectivamente em 1798 e em 1804. No início da década de noventa, aderiu à "Nova Arcádia", uma associação literária, controlada por Pina Manique, que metodicamente fez implodir. Efectivamente, os seus conflitos com os poetas que a constituíam tornaram-se frequentes, sendo visíveis em inúmeros poemas cáusticos.

Em 1797, Bocage foi preso por, na sequência de uma rusga policial, lhe terem sido detectados panfletos apologistas da revolução francesa e um poema erótico e político, intitulado "Pavorosa Ilusão da Eternidade", também conhecido por "Epístola a Marília".

Encarcerado no Limoeiro, acusado de crime de lesa-majestade, moveu influências, sendo, então, entregue à Inquisição, instituição que já não possuía o poder discricionário que anteriormente tivera. Em Fevereiro de 1798, foi entregue pelo Intendente Geral das Polícias, Pina Manique, ao Convento de S. Bento e, mais tarde, ao Hospício das Necessidades, para ser "reeducado". Naquele ano foi finalmente libertado.

Em 1800, iniciou a sua tarefa de tradutor para a Tipografia Calcográfica do Arco do Cego, superiormente dirigida pelo cientista Padre José Mariano Veloso, auferindo 12.800 réis mensalmente.

A sua saúde sempre frágil, ficou cada vez mais debilitada, devido à vida pouco regrada que levara. Em 1805, com 40 anos, faleceu na Travessa de André Valente em Lisboa, perante a comoção da população em geral. Foi sepultado na Igreja das Mercês.

A literatura portuguesa perdeu, então, um dos seus mais lídimos poetas e uma personalidade plural, que, para muitas gerações, incarnou o símbolo da irreverência, da frontalidade, da luta contra o despotismo e de um humanismo integral e paradigmático.

Fonte: www.bibvirt.futuro.usp.br

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Mais um blog de poesia no ar

Esse é um blog onde teremos basica mente poesia, e tudo à ela relacionada